músic

sábado, 5 de março de 2011

texto 3


- Eram nove horas em ponto, tinha acabado de acordar e mal sabia ela que era o seu dia de aniversário. Foi ao telemóvel, simplesmente para ver as horas, quando se depara com quinze curtas mensagens, em que todas lhe desejavam a mesma coisa: Parabéns. Tinha sido apanhada de surpresa. Não sabia sequer onde se encontrava, quanto mais que era o dia do seu aniversário. Lembrava-se apenas que tinha adormecido, enquanto a mãe, ao seu lado, tentava chegar aos cem abeduminais. A noite era bastante escura e fria, a trovoada chegava até a meter um certo medo. Mas naquela manhã, tudo lhe parecia bastante mais calmo. Foi então que, devagarinho, se levantou e se dirigiu até a casa-de-banho, para fazer as suas necessidades habituais, esquecendo-se de responder a todas aquelas mensagens, que muito estranhas lhe pareceram. A casa estava desarrumada, a mãe, a empregada, os irmãos, nenhum deles estava em casa. Parecia-lhe estar completamente sozinha e abandonada. Quando voltara da casa-de-banho, o telemóvel desaparecera, a televisão apagara-se e ela ficara totalmente ás escuras. Agarrou com imensa força o lençol que durante a noite a tapara e gritou. Gritou muito, mas não valeu, minimamente a pena. Acalmou-se e acabou por adormecer naquela total escuridão, enquanto pensara « mas, se é o meu aniversário, porque isto? todo este azar? » (..)  Passado algum tempo, acordou com uma radiante luz a invadir-lhe a quarto. Estava, como habitualmente, deitada na sua pequenina cama, encharcada em suor. Foi então que se levantou e tudo lhe pareceu, de novo, normal. Afinal, toda aquela agitação, não passara de um sonho. Ou melhor, de um terrível sonho. De um pesadelo.  -

(voltei a escrever sem sentido algum. qualquer dia dou por mim, em vez de psicologa, escritora. mas, voltando ao que escrevi, parece-me um drama. uma coisa, completamente, horrível. coitada da miúda. e se aquilo não fosse apenas um sonho, fosse real? nem eu, nem ninguém desejara estar na sua pele, penso.)

2 comentários:

sem medos, nem vergonhas, todos somos seres humanos.